Os posteriores são o motor propulsor do cão,
originam o movimento que, carregado pela Linha Dorsal
chega aos anteriores que são responsáveis
pelo peso e direção.
Como saltar, trotar, galopar, mudanças bruscas
de direção e velocidade são gerados
por músculos que devem ser muito bem desenvolvidos,
é necessária uma ossatura larga e poderosa
nos membros para permitir a aderência de massa
muscular suficiente.
a)
Trem Anterior
Consiste em Omoplata ou Escápula, Úmero
ou Osso do Ombro, Conjunto Rádio e Ulna ou perna
propriamente dita, Metacarpo e Pé.
a.1) Omoplata ou escápula – Esta liga-se
ao tronco do cão através de fortes músculos,
tendões e ligamentos. Para um bom alcance de
passada faz-se necessário que a Omoplata tenha
um ângulo próximo de 45º em relação
à linha dorsal.
a.2) Úmero – Este forma com a Omoplata
a articulação chamada Escápulo-Umeral
ou Articulação do Ombro. O ângulo
ideal entre esses dois ossos situa-se entre 95 e 105
graus. Quando o Trem Anterior está bem posicionado,
a Omoplata está bem angulada e o ângulo
escápulo-umeral está correto, observa-se
um movimento dos anteriores harmônico e de bom
alcance.
a.3) Conjunto Rádio e Ulna – Chamado simplesmente
perna. Deve apresentar ossatura larga e poderosa, sendo
reta e formando uma perpendicular com o solo.
a.4) Metacarpo – Forma um ângulo de aproximadamente
20º com a perna. É o sistema de amortecedores
do Trem Anterior. Quando saltando, trotando, galopando
em variadas velocidades e direções, é
o Metacarpo que suporta a maioria dos impactos com o
solo. Está aí a razão para Metacarpos
poderosos e firmes. Quando são retos, seguindo
a perna (escarpados), não absorvem corretamente
o impacto e o cão se cansa muito cedo além
de mostrar pouca vontade já que o movimento em
excesso causa-lhe dor. Quando cedidos ou muito angulados,
a troca de direção e a firmeza do movimento
são prejudicados devido ao peso do cão.
a.5) Os Pés – Devem ser fortes apresentando
dedos bem arqueados (pés de gato). Pés
chatos e/ou espalmados são altamente indesejáveis.
O avaliador deve Ter em mente que algumas vezes a aparente
falta pode ser o resultado de carência de determinada
vitamina na alimentação ou excesso de
peso do cão, neste caso o Metacarpo apresenta-se
cedido também. Pés abertos e/ou dedos
não arqueados e um Metacarpo normalmente colocado
devem ser penalizados sempre.
É importante lembrar que, a chamada Frente Francesa
sempre é avaliada como falta mas, dependendo
de como se apresenta pode ser considerada leve até
bastante séria. Levemente penalizada é
aquela que, ao olhar-se de frente para o cão,
os pés apresentam-se para fora mas as pernas
estão corretamente posicionadas. Esta geralmente
é originária de alguma deficiência
no processo evolutivo do cão como peso em excesso,
dieta pobre em sais minerais, pisos lisos etc. Séria
é aquela que vendo-se de frente, os pés
apontam para fora e a perna também (o Tan das
partes internas da perna aparecem na frente de forma
anormal). Neste caso é o resultado de problemas
no Trem Anterior e/ou Caixa Torácica ( o arqueamento
incorreto de costelas é geralmente o maior causador).
a.6) Função – No seu conjunto o
Trem Anterior suporta o peso, direciona o corpo, quebra
a força e amortece os impactos gerados pelo Trem
Posterior. O Aproveitamento da propulsão dependerá
do equilíbrio correto do Anterior.
- Omoplata mal colocada – pouco alcance
- Ângulo de Ombro pobre – pouco alcance
(aparente falta de profundidade de peito).
- Ângulo de Ombro excessivo – pouco alcance,
cão muito próximo do solo. (aparente excesso
de profundidade de peito).
- Trem Anterior projetado para frente no seu total –
dificuldades para iniciar o movimento e porte muito
baixo da cabeça (pescoço parece muito
curto).
- Trem anterior projetado para trás – dificuldades
de manter-se bem plantado no solo e cabeça portada
alta quando em movimento ( pescoço parece longo).
- Cotovelos soltos – dificuldades em mudanças
de direção e controle do corpo quando
em velocidade.
- Metacarpo escarpado – Amortecimento pobre a
impactos
É
importante salientar que algumas destas faltas são
na verdade resultado de um conjunto de fatores incluindo
todos os elementos que formam o conjunto.
b)
Trem Posterior
Consiste em Garupa (Osso Superior chamado Ilíaco,
Osso Médio chamado Sacro e o Osso
Inferior chamado Ísquio), Coxa (Fêmur),
Perna (Tíbia e Fíbula), Jarretes, Metatarso
e Pé. As principais articulações
são: Coxo-Femoral, Joelho e Jarrete.
b.1)
Função – O Conjunto posterior inicia
todos os movimentos. A musculatura força a abertura
dos ângulos das articulações, empurrando
para trás e o corpo movimenta-se para a frente.
Se ângulos, tamanho dos ossos, largura dos ossos
estiverem corretos, haverá musculatura suficiente
para gerar uma força poderosa e um movimento
fácil e pouco cansativo para o cão.
b.2)
Em Parado – Podemos distinguir três posições
do Trem Posterior quando o cão realiza uma parada
natural:
Posição Um – Pés embaixo
do corpo. Ângulos Pobres, falta firmeza e equilíbrio,
pouca propulsão.
Posição Dois – Pés atrás
do corpo. Cão cambaleante em movimento, parada
com as pernas muito abertas e passos também muito
abertos, geralmente relação pobre entre
o comprimento dos ossos (Fêmur e Tíbia).
Posição Três – Pés
um pouco para trás do corpo – É
a posição mais favorável, com melhor
relação entre Fêmur e Tíbia
(50-50). Quando os jarretes estão na vertical,
uma linha traçada da ponta do Ísquio até
o solo, atinge exatamente na ponta do Pé.
OBS: Isto é o que se esperava do nosso Rottweiler
até agora mas, com as mudanças que irão
ocorrer na garupa, devido à cauda e a crescente
tendência dos Árbitros Alemães de
valorizar os cães mais bem angulados, os posteriores
estão cada vez mais para trás. O Avaliador
deve procurar Ter em mente sempre que nosso Rottweiler
está mudando lentamente mas seguramente. Cães
bem angulados devem ser valorizados na medida de que
não existam exageros.
b.3)
O Íleo – Esse osso, assim como a omoplata,
deve ser longo e bem angulado. Se muito curto, as pernas
estarão posicionadas muito à frente, embaixo
do corpo. Neste caso temos passadas curtas e a força
despendida não é aproveitada. Perda de
resistência.
Se estiver muito na horizontal, o cão perde firmeza
quando em parado. Quando bem construído, forma
um ângulo de 45º com a horizontal.
b.4)
Garupa
O Íleo, o Sacro e o Ísquio formam o conjunto
da garupa. Se traçarmos um linha reta desde a
ponta do Íleo à ponta do Ísquio
teremos um ângulo entre 20º a 30º com
a horizontal. Observando-se externamente, o ângulo
aparente da garupa é ao redor de 10 até
20º no máximo.
Se, ao observarmos o cão, o ponto mais alto da
garupa estiver acima do mais alto da cernelha, dizemos
que este cão é Sobreconstruído.
Este conjunto será o mais afetado em função
da cauda. Vale lembrar que, quando não se tinha
a presença da cauda, vários cães
com garupas incorretas passavam desapercebidos em função
de julgamentos por árbitros não criadores.
Lembre-se:
i) Garupa plana leva a uma cauda incorreta, portada
em cima do lombo.
ii) Garupa muito angulada levará a uma cauda
portada como a de um Pastor Alemão (Diga-se de
passagem que, na minha modesta opinião, este
será o nosso futuro).
iii) O Porte da cauda, da forma que o padrão
pede, exigirá uma garupa um pouco mais longa
que a atual e um pouquinho mais angulada.
b.5)
Coxa
Deve ser moderadamente longa, larga e com muita musculatura.
Quando vista lateralmente, deve ser larga e poderosa.
Para tal é necessário um conjunto da garupa
correto. Coxas finas, pobres em musculatura significam
um conjunto incorreto.
Vistas por trás devem aparentar forte musculatura.
Coxas finas vistas por trás denotam uma garupa
estreita, fato bastante indesejável.
b.6)
Perna
É o conjunto Tíbia e Fíbula. Deve
apresentar musculatura poderosa e articula-se com a
jarrete de forma bem angulada.
b.7)
Metatarso e Pé
Devem ser retos e ergots não devem estar presentes.
Os pés, como na frente, devem ser bem arqueados,
podendo ser um pouco mais longo que os anteriores.
b.8)
Articulação Coxo-Femoral
De todas as articulações do cão,
esta é a que suporta maior esforço. Com
a seleção de cães mais e mais angulados,
tivemos o surgimento da chamada Displasia Coxo-Femoral,
que é um mal genético só sendo
controlado através da eliminação
da criação dos cães que o apresentem.
Filhotes muito pesados, exercícios forçados
em idade muito jovem, pisos lisos, subir e descer escadas
quando filhotes podem gerar o mal, que neste caso poderia
ser chamado de adquirido, embora sendo adquirido ou
não, estes cães não deverão
acasalar.
A Radiografia é a única forma de se detectar
o mal.
b.9) Articulação do Joelho
Esta dá origem ao movimento.
Quando é torcida para fora o cão apresenta
o que chamamos Jarrete de Vaca. Geralmente resultado
de um fêmur muito longo ou garupa muito angulada.
Quando torcida para dentro, apresenta o que chamamos
Pernas em Barril. O cão, em movimento visto por
trás, expulsa os jarretes para fora.
Importante Observar que, na medida em que a velocidade
aumenta, o cão aproxima corretamente os jarretes.
Estes não devem cruzar mas sim ficarem bem próximos
conservando o paralelismo. Nos anteriores também
ocorre o mesmo.
Cães que apresentam as pernas abertas durante
o movimento terão dificuldades em mudanças
de direção.
Vale lembrar que não são poucos os árbitros
que vimos penalizarem cães que aproximam corretamente
os jarretes, dizendo que estes seriam o defeito que
chamamos Jarretes de Vaca (Ponta do jarrete aponta para
dentro e os pés apontam para fora do corpo). |